quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Cavaleira ou Amazona? Veja a resposta!

Amazona ou Cavaleira?

    Em meu tempo de colégio, nas décadas de 80 e 90, nos foi ensinado que o feminino de cavaleiro seria amazona. Em uma prova, um colega marcou o feminino de cavaleiro sendo cavaleira e foi repreendido. Desta forma, fixei amazona como o feminino correto para o termo em questão, ou seja, mulher que anda a cavalo. Ao assistir Walkure Romanze, eu me deparei com a palavra cavaleira e me questionei. Inclusive, alertei-os para a forma que eu julgava correta, mas sem retorno positivo. Deste modo, fui pesquisar para ver se a expressão estaria correta.

Walkure Romanze- exibido no Brasil pelo Crunchyroll


    Nestas pesquisas, encontrei um professor que prontamente me respondeu a esta questão. O caso estava solucionado com uma bela lição que, agora, repasso a vocês. Com a palavra o professor Ari Riboldi.

    No meu tempo de estudante, no ensino primário e no ginásio, também se aprendia assim: cavaleiro (masc.), amazona (fem); cavalheiro (masc.), dama (fem.). No entanto, os dicionários registram o termo 'cavaleira' - com a função morfológica de adjetivo e com o significado de "mulher que anda a cavalo; amazona". 
    Esse registro pode ser encontrado em dicionários mais antigos, como o "Dicionário contemporâneo da Língua Portuguesa", Caldas Aulete, de 1964: "Cavaleira.s.f. dama que sabe e costuma andar a cavalo; amazona; ..."  Do "Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa", 5ª edição, de 2010, consta: "Cavaleira [De cavalo + eira.] S.f. Amazona (2)". O Vocabulário Ortográfico da Língua Poruguesa (Volp), da Academia Brasileira de Letras, 5ª edição, de 2009, elaborado com a grafia conforme o recente Acordo Ortográfico - assinado entre os países de Língua Portuguesa  e com vigência obrigatória adiada para o início de 2016 no Brasil - contém: "cavaleira s.f."
   A rigor, o termo 'cavaleira' deveria ser empregado na função de adjetivo: mulher cavaleira. A tendência, porém, é a de substantivar o adjetivo, como ocorre no masculino, simplificando a forma de falar e de escrever: cavaleiro e cavaleira, em vez de homem cavaleiro e mulher cavaleira.
   Em muitos casos, o uso atropela a gramática e os dicionários. É o caso de 'poeta' e 'poetisa'. Sempre se aprendeu: masculino - poeta; feminino - poetisa. É assim que ainda consta dos dicionários e também do Volp, com forma para o masculino e forma para o feminino. A prática é bem outra. O substantivo 'poeta', no dia a dia, é comum de dois gêneros: o poeta; a poeta. Nesse caso, a norma é ignorada ou, melhor dizendo, os dicionários não se adaptaram ainda à evolução da linguagem, em constante mudança e evolução.
 
   Não tenho publicações sobre a norma gramatical, mesmo assim não fujo de dar minha opinião, sempre com base em gramáticas, dicionários e na realidade. A língua não é estanque. Está sempre em processo de mudança, de evolução, começando sempre pela linguagem falada, passando depois para a escrita. A meu ver, em poucos anos, deverá predominar a grafia 'cavaleira', até porque 'cavaleiro' tem a função de adjetivo e também de substantivo. Além disso, fica mais fácil de gravar e até para os processos de tradução automática. Dentro de um espírito de economia de linguagem e de simplificação, 'cavaleira' é uma grafia coerente e prática.

Fate Zero: Saber



Curiosidade

    A origem da palavra Cavaleiro, segundo o professor Riboldi vem do latim “caballarius”, escudeiro, derivado de “caballus”, cavalo destinado ao trabalho.


Sobre o autor

    Professor Ari Riboldi é natural de Silva Jardim, Serafina Corrêa-RS, é filho dos agricultores Vitório e Ângela Riboldi, de uma família de 9 irmãos. Casado com Maria de Lourdes Imperico, tem a filha Camila.  Desde 1977, desempenha as funções de docente, em Porto Alegre, na rede pública e privada de ensino. Técnico concursado do MEC, exerceu a função de Secretário e de Direção de Assessoramento Superior na Delegacia do MEC/RS. Foi professor do Colégio Diocesano São Francisco, do Colégio São Manuel.  Professor concursado da Prefeitura de Porto Alegre, lecionou na EMEB Liberato S. V. da Cunha, em 1987, e, por 18 anos, na EMEF Leocádia Felizardo Prestes. A partir de 2006, passou a trabalhar na Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Educação, na qual também é revisor de publicações.


OBRAS

 A CPI das Palavras, origem de palavras e expressões da linguagem política, em 2006, com segunda edição revisada e ampliada em 2008, publicação independente. 

O Bode Expiatório, origem de palavras, expressões e ditados populares com nomes de animais, em 2007, já em terceira edição. A obra deu reconhecimento nacional ao autor, a ponte de ser entrevistado pelo Programa Jô Soares, a convite da Rede Globo de Televisão, em 25/12/2007, quando falou sobre seus livros e, a pedido da produção, fez uma galinha dormir, para estupefação dos telespectadores.

Cabeça-de-Bagre, termos, expressões e gírias do futebol, em 2008.

O Bode Expiatório 2, origem de palavras, expressões e ditados populares com nomes de animais, em 2009.

O Bode Expiatório 3, origem de expressões e ditados com nomes de partes do corpo humano, de vegetais, de minerais e outras fontes, em 2013.

Autoria do professor Ari Riboldi


    Sobre o Bode Expiatório 3, o livro tem uma premissa interessante a apresenta-se desta forma, segundo as palavras do professor Ari: “Após exaustiva pesquisa, sinto-me gratificado com a publicação do terceiro volume de O Bode Expiatório. Os dois primeiros livros explicam a origem de expressões e ditados com nomes de animais. Este volume 3 versa sobre as inúmeras expressões e ditados populares com nomes de partes do corpo humano,  de vegetais, de minerais e outras fontes.

    A minha tarefa é a de registrar e, especialmente, a de resgatar a origem, buscar a explicação, lógica ou não, para o seu emprego. Não tenho e nunca tive a pretensão de ser o dono da verdade. Meu propósito é apresentar a versão ou as várias versões acerca da origem dessas expressões, com base na observação, na pesquisa bibliográfica de estudiosos consagrados e no depoimento de especialistas e das pessoas simples do povo. Como as expressões não possuem um registro formal de origem, uma certidão de nascimento, busca-se a fonte em lendas, tradições e costumes, o que leva a falar mais sobre a forma de seu uso do que propriamente acerca da sua gênese. Os ditados, por sua vez, são baseados em usos e costumes e reproduzem o senso comum. Por isso mesmo, podem conter rara sabedoria e velados preconceitos. O conhecimento desmistifica e aproxima da verdade.

    As pesquisas de linguagem levam a reverenciar o passado e a melhor compreender o presente. As palavras são fascinantes. Na sua história, carregam a alma humana.  Refletem os sentimentos e a cultura de um povo. Traduzem os caminhos percorridos pela humanidade. Estou falando de uma linguagem viva, espelho do cotidiano, pura como água da nascente. Uma boa viagem a todos neste maravilhoso mundo”.


Este último trabalho está à venda nas livrarias Saraiva (clique).