sábado, 17 de março de 2012

Conto do cavaleiro


    Conto do Cavaleiro!

Alerta!! Possui descrição de fortes cenas. Aconselho cautela aos mais jovens ao ler.




    A lâmina de minha espada reluz em vermelho sangue. Não é o sangue de um adversário que ela bebe, mas o meu próprio sangue que escorre pelo punho. Uma ferida grave em meu ombro. Encontrei besta-fera a altura de minha habilidade. Uma besta-fera cujas penas negras tremem ressoando uma estridente canção irônica. A ironia de conhecer minhas limitações. A língua pérfida desta besta dança, sibilante, reconhecendo meu sangue, minha fraqueza e minha dor. Ela avança lentamente, com suas patas de águia que desejam rasgar-me mais uma vez. Pela primeira vez, após ser consagrado guerreiro imperial, eu recuo diante de um adversário.  

    A vista torna-se turva. O ferimento impede-me de erguer minha espada. Oriento o escudo à minha frente e minhas palavras, ora salvadoras, não podem ser proclamadas, pois minha mandíbula sofreu forte impacto da cauda de dragão desta besta-fera. Não consigo dizer uma palavra, mas posso sentir, pelo olhar confiante de meu adversário, que o fim se aproxima. Sinto um sussurrar em meu ouvido. Não é o fôlego da besta-fera, mas palavras de uma Valquíria que veio buscar-me o espírito. Ela aguarda em cima de seu nobre cavalo. Como ela é linda e que armadura tão brilhante. Se meu adversário a visse, certamente recuaria diante de tão formidável figura. Os cabelos assemelham-se a raios dourados de luz, assim como os olhos assemelham-se às eternas geleiras do norte. Que rosto jovial! Ela é eterna, mas dou-lhe a idade de 20 anos.

    Curioso como é o comportamento do homem, pois esqueci completamente da besta-fera para contemplar a formosura que se apresenta diante de mim. Um grande erro, pois meu adversário não titubeia, avança, arrancando-me o escudo, e mordendo-me o pescoço. Pronto! Minha vida termina aqui. O golpe foi mortal e meu adversário aguarda para devora-me o corpo. Ele aguarda apenas que eu pare de me debater para, então, saciar-se com este guerreiro. Penso em minha adorada princesa, mas meus olhos já não enxergam nada. Princesa, minha amada!  Minha mente está bloqueada pela falta de ar que dos pulmões não chega. Ouço um choro ao longe. Quem será?

---- Não esqueceu de nada? Vai deixar a camponesa morrer após tua queda?

    Sim, finalmente as palavras da Valquíria fazem sentido para mim. As palavras conseguem chegar à minha alma e recordo-me que não estou sozinho nesta gruta negra e fétida. Vim, por ordem do rei, matar besta-fera que se alimenta de aldeões desta vila. Ao aproximar-me da gruta, entrei com dois de meus homens. Percebi uma camponesa no centro deste covil, ao lado de um lago de águas frias. Fui ajudar-lhe. Uma camponesa jovem, com um pouco mais de 25 anos. Olhos apavorados, lábios trêmulos e encolhida em um canto. Ela não conseguia falar, mas os olhos da camponesa, de cabelos ondulados e cor de mel, refletiram a agonia de ver a aproximação de tal criatura por detrás de mim e de meus homens. Criatura mais rápida que um raio. Voando em silêncio, arrancou as cabeças de meus companheiros com suas asas negras e, com um golpe de cauda acabara quebrando minha mandíbula. Tudo tão rápido!

    Se morrer agora, ela será devorada em seguida e, após ela, outra e outra até que novos cavaleiros sejam enviados. Muitos morrerão. Que minha morte não seja em vão. De súbito, revolto-me o espírito. Enquanto sou estrangulado por uma mordida que rasga minha garganta e tira-me o ar, o sangue e a vida, eu alcanço uma adaga em minha bota. Não é uma adaga comum. Presente de meu pai, esta adaga foi consagrada por encantos e é capaz de matar qualquer animal retirando-lhe o espírito e apreendendo-o dentro das joias do punhal.

    Abraço o pescoço da besta-fera e cada pena dela me rasga o braço, fatiando minha carne inúmeras vezes, mas alcanço a pele abaixo de cada pena e perfuro-a com a adaga. Parece que a besta-fera sorri, não imaginando o que esta adaga é capaz de fazer. Tento desesperadamente dizer as palavras que ativam o encanto.

----  Officium meum faciam!

    Não, embora sejam minhas palavras de encanto, não fui eu quem as disse. Valquíria, tão generosa, não veio buscar-me o espírito, mas o espírito de tal criatura. Foi ela quem proferiu o encanto e selara, no punhal, o espírito amaldiçoado da criatura. Ela aproxima-se e toca-me.

--- Engano teu, vim buscar teus aliados e a você, mas minhas ordens mudaram por uma simples oração, de uma princesa, que pedira tua salvação em uma prece cheia de amor. Tamanho amor não foi desprezado. Provei teus soldados, dando-lhes a chance de salvar um de vocês três. Os dois se olharam e pediram a tua salvação. Novamente, vi respeito e amor fraternal deles por ti. Vigiei cada pensamento teu e vi que, embora fascinado por minha beleza, teus sentimentos eram para com sua princesa e para com o seu dever. Decidi que a oração da princesa era justa. Vou restaurar-lhe a saúde e viverá. Outro dia nos reecontraremos.

    Após tais palavras a Valquíria leva o punhal e meus compatriotas. Fui deixado para trás. A camponesa levanta-se e corre para a aldeia chamando ajuda. Fui resgatado, passei uma semana em coma, mas recuperei-me. A primeira pessoa que vi, ao abrir meus olhos, foi minha doce princesa que salvara minha vida com seu amor. Restaurei minhas habilidades e voltei para casa, com minha doce amada mulher.  


Cotidiano

    Este conto faz parte de uma série de pequenos contos sobre um cavaleiro sem nome e sua princesa. Reuni alguns contos no livro SETE (Ed. Litteris) e trazem elementos góticos, fantásticos, de literatura romântica e elementos  místicos. Vou colocar, abaixo deste conto, um dos contos que está no livro Sete. O coloco aqui para conhecerem esta série de pequenos contos que eu tano gosto de escrever.
  

Conto no livro SETE (ed. Litteris)





Novamente, guardarei o teu amor! O início dos poemas do soldado imperial!
Conto na página 17


    O que é essa maldição? Eu penso comigo mesmo como poderia ter sido tão feliz e, ao mesmo tempo, tão cruelmente torturado. Quando eu a vi passar pelos campos de castelo, eu me impressionei com a beleza que deixava o próprio Sol envergonhado. Quando estava de vigia na torre, eu a via em confidências com a Lua. Os pássaros, corvos e corujas, lhe pareciam render graças.

   Em um dia de outono, a minha espada lhe foi útil. Atacada enquanto caminhava pela estrada real, seus guarda-costas, eunucos, rapidamente foram derrotados por vil criatura. Eles não tinham o que era preciso para defende-la. Eu a vi por acaso, quando estava retornando de meu treino matinal com a espada, ao lado de  meu fiel pai. Meu pai, guarda real de confiança de um nobre conde, foi o primeiro a pressentir o perigo e a se dispor a ajudar. Eu não tinha tanto fôlego, mesmo sendo mais jovem, pois ele defendia a nobreza com um espírito incorruptível.  Para ele, os nobres eram passageiros, mas a realeza parecia ser um estado de espírito permanente, quase uma filosofia que eu não podia entender.

   Pois ele entendia. A vil criatura, horrenda, com olhos que me fizeram tremer e duvidar da fé de meu pai, estava sob uma gentil e linda donzela. Raptada na sua inocência por um cruel serviçal das trevas.  Defende-la era meu propósito. Derrotar a criatura era o objetivo de meu pai. Meu pai atacou o Leviatã com a bravura que me fez inveja. Eu arrastei, sem a menor polidez, a donzela para longe da criatura. Os olhos da princesa eram lágrimas. Ela estava em choque por ter ficado a milímetros de dentes tão afiados. Seu lindo pescoço, branco como a neve, e com a pele tão lisa e suave, mostrava as marcas vermelhas de dentes.

   Meu bravo pai, honrando o símbolo da guarda real, atacava o bestial de maneira selvagem e, ao mesmo tempo, com destreza e frieza de coração. Eu poderia ser igual a ele? Poderia enfrentar horrenda fera, maior que um leão, apenas com minha espada e o brasão de minha casa? Pois eu saberia disso nesse momento. Meu pai lançou rápido ataque pela esquerda e feriu o dorso do animal. Com a lâmina fincada nas costas, o animal quebrou-lhe a espada com a força dos retesados músculos da coluna O meu honrado progenitor ainda tentou sacar de uma adaga, mas a cauda horrenda lhe jogara ao chão. Eu ouvi ossos se quebrarem. Agora, a fera me olhava como que com um único propósito: matar-me. Assustado, olhei para a donzela. “Desculpe-me, mas eu fugirei e buscarei ajuda”, eu pensara. Olhei para ela e vi pureza, medo e desespero. Queria livrar-me do fardo. Queria largar a espada e gritar por socorro. Mas, eu duvido, meus caros leitores, que tais palavras de covardia pudessem ser pronunciadas diante de um anjo tão encantador em situação de tamanho desespero. Não podia falar-lhe palavras tão vis . Coloquei-me entre a mulher e o monstro. Gesto insensato, cego e estúpido. Apaixonado!

   Sempre sonhara com um momento como este. Eu,  um bravo guerreiro em armadura dourada, em cima de um grande e poderoso corcel. Desafiando todas as trevas em nome do amor. Uma história que se repete na mente de cada jovem. Mas a realidade é outra: estava semi-nu, apenas as calças da guarda real e as botas de couro empoeiradas. Eu estava  suando e tremendo como um covarde. O monstro tinha quase o dobro de meu tamanho e o triplo da sede de sangue. A dama estava aterrorizada com a infernal criatura que se aproximava lentamente. O bestial me analisava para ver em quantas mordidas poderia me abater. Talvez pensasse em provar de meu sangue e sentir o gosto da covardia.

    Apesar disso tudo, eu não me afastei. O monstro avançava lentamente e eu permanecia parado. Minhas pernas queriam se mover para trás, mas meu coração queria ir para frente. O resultado disso é que eu não saía do lugar. Eu decidi. Vi meu pai agonizando, vi a jovem e bela futura rainha caída aos pés de um carvalho. Seu vestido estava rasgado e, por um breve momento, pude ver sua intimidade. A fúria tomou-me conta e eu me atirei contra ela- a criatura. Acho que a soma de fúria e remorso me jogaram em direção a boca do bestial.  Minha espada reluzia como a um pequeno raio que cortava o ar. Eu podia jurar que o vento gemia de dor. O animal se esquivava com paciência, esperando a vez de atacar e me reduzir a pó. A batalha prosseguia e o animal levava imensa vantagem em reflexo, força e velocidade. Por duas vezes, ele me rasgara o peito. Uma vez, bem mais grave, ele conseguira rasgar as minhas costas. Mas o que eu tinha de vantagem era a perseverança e a inteligência. Atirei minha espada longe. Eu mencionei inteligência? E esperei, convidando a criatura para realizar-se com minha jugular. Ela atacará sem pestanejar. Eu poderia dizer que planejava pular sobre a criatura e usar a espada de meu pai, que ainda estava sangrando o dorso do animal, mas, apesar de ter pensado nisso, não era o meu plano.

    A criatura avançou. E eu permaneci imóvel. A princessa parou de respirar, sufocada pela tensão. Eu sorri maquaivelicamente. O animal agarrou-me com suas garras para garantir que eu não fugiria. Não era minha intenção fugir. E, de súbito, senti a pressão sufocar minha garganta e um hálito quente a me apertar a jugular. Lentamente, senti minha carne esfacelar. O animal já preparava o rugido de vitória.  Eu mencionei mesmo inteligência? Era a hora!

Officium meum faciam!!!

    Como simples palavras podem mudar toda uma situação difícil! Meu sangue se fez fogo e minha carne se fez bronze. As garras do animal se quebraram, seus dentes derreteram e sua língua queimou. Palavras que na boca de outros nada faria, porém, em mim, de acordo com um sacerdote cristão, era um dom de Deus que expandia meu espírito acima do poder da carne. Imaginaram a cena? Meu espírito rompendo os limites da carne. O animal queimando vivo e a princesa desmaiando. Agora sim, aproveitei a agonia de meu inimigo e lhe retirei a espada de meu pai. Com a ajuda de minha espada, eu acabei com o sofrimento do animal. A batalha cessara e a vitória era minha e unicamente graças a Deus. Fui em direção de meu pai.

— Pai! Está bem?— perguntei-lhe

— A princesa... — ele apontara para a doce donzela caída.

    Eu sabia desta determinação e me orgulhava dele. Mas será que ele se orgulhava de mim? Um guerreiro que não vence a batalha pela espada, mas pelo subterfúgio de um Dom do Espírito? Esqueci estas dúvidas por um momento e fui ter com a princesa.

— Ilustre princesa, estás bem!? — amparei-a preocupadamente. Somente nesse momento, eu senti o perfume de seus cabelos e o toque macio de seu jovem corpo junto ao meu. Ela estava acordando.

— O que houve? — ela diz de maneira trêmula. — Instantes atrás, tu eras ouro e bronze. Que bruxaria usastes?

Que voz maravilhosa. Se ela me determinasse: “Vai-te depressa e mata-te”! Com esse nobre e belo tom de voz, com certeza eu obedeceria.

— Bruxaria nenhuma minha princesa. Assim como Sansão tinha força descomunal, o Dom do Espírito me promete expanção espiritual além dos limites da carne. Toda obra das trevas, que o Espírito toca, queima instantaneamente. Bastam três palavras em latim que significam: faça-se meu trabalho e o dom se manifesta.

— Soldado, estás ferido! — ela me surpreende e levanta-se de meu colo.— Deita-te e repousas!

Como ela, em poucos segundos, consegue força para se levantar e tentar cuidar de meus ferimentos? Que princesa faria isso? Sempre escutei histórias sobre princesas lindas e arrogantes. Entretanto, a beleza desta não lhe atinge o coração. Serás inocente? Uma mulher em um coração de jovem? Agora, eu me sinto envergonhado de quase ter fugido e orgulhoso de ter vencido um mal que tentara apagar essa divina chama da Terra. Comecei a ficar envergonhado e ela nem sabe o porquê. Não consigo tirar da cabeça o meu pecado contra este anjo. Olhei a intimidade da princesa. Que pecado! Desse dia em diante, eu jurei usar minha espada para protegê-la. Fui designado para ser da exército real, graças a meu pai, e sempre a protegerei com minha espada e meu amor.[1]


               [1]- Conto inspirado em alguns poemas do livro Despertar do Amor

quinta-feira, 15 de março de 2012

Quadrinho: A universidade era um hospício!

Descobri que o prédio onde está instalado uma universidade, aqui do DF, era, décadas atrás, um hospício. Não perdi a oportunidade de fazer um quadrinho sobre isso! Espero que gostem!


quarta-feira, 14 de março de 2012

Poesia Romântica e Gótica: minha libertação!


Poesia Gótica e Romântica. Um exemplo de cada e a minha libertação!










    Sempre me perguntei porque sentia-me atraído pela poesia gótica, ou elementos góticos apresentados em textos como “O Corvo” (Edgar Allan Poe). Os textos góticos, segundo alguns estudiosos, foram uma reação ao sentimento racionalista/humanista que embebia as temáticas de época. Ao apresentar histórias nas quais o sobrenatural imperava, muitas vezes de maneira sombria, como se a própria morte acompanhasse cada palavra, ao mesmo tempo em que o romance ultrapassava as barreiras da vida e da morte (Drácula), deu-me a certeza de que não precisávamos, como autores, ficarmos restritos ao natural, ou mundano, mas que as letras poderiam criar elementos fantásticos.

    Lembrava-me da presença mitológica, muitas vezes usada como pano para histórias que, embora tenham sido criadas por uma única sociedade, em determinada época, poderiam ser aceitas por qualquer um. Com isso, textos mitológicos, como as histórias sobre Tengus avançaram séculos, inspiraram diversas histórias e ultrapassaram as barreiras de nacionalidade, sendo admiradas por várias nações, embora seu berço tenha sido o Japão.

    Digo, com os dois parágrafos acima, que os textos de origem gótica foram a minha salvação com escritor, o meu horizonte para a criação de textos. Não quero, de maneira nenhuma, afirmar que uma vertente seja melhor que outra, apenas que assimilei, nos textos góticos e românticos, a minha saída narrativa. Assimilei e me encontrei em cada palavra deste movimento.

“Se assim me vê,
Vai, encontra com teu pai,
Mortos uni-vos”. (Haikai por Patrick Raymundo de Moraes)

    É meu escape para agruras e sentimentos que planto em cada página, para não deixar que estes elementos me consumam o coração com energia negativa. Ao mesmo tempo, a poesia romântica é, para mim, a idealização de um amor que não é apenas platônico, mas real e sublime. Colocar no papel este amor é libertar sentimentos no papel e deixar que estas letras levem aos leitores os bons sentimentos. Então, a poesia romântica e a gótica se complementam em mim e são, juntas, o meu solo fértil.

“A bela noite, em manto sereno de ventos e perfumes, é a minha cúmplice no amor que me candeia o coração. Amor por ti, amada donzela, cujos cabelos escorrem como pequena cachoeira doce e prateada. Olhos que confundem estrelas e fazem sereias se corroerem de ciúmes, por tão acolhedor brilho, olha-me! Torno a existir somente em teus seios, torno a viver somente em teus braços e torno a criar somente por teus aromas. Amada donzela, sê minha para criarmos juntos as palavras desta paixão. “ (Poesia romântica por Patrick Raymundo de Moraes)”.

    O amor romântico não é apenas aquele amor irreal, que usa de símbolos, como elementos da natureza, para dignificar uma pessoa, mas é a minha resposta para a crueldade e desumanidade deste tempos em que vivemos. Resgatar essa forma pura de amor é minha resposta narrativa e literária que me permite expressar um sentimento.

    Parece contraditório expressar-me de duas formas antagônicas, mas o homem é um ser contraditório. Acolho-me na minha contradição, e expresso-me livrando-me das energias negativas com o uso da palavra e, também, expresso o amor e a bondade pelas palavras que leem agora. É a minha libertação: ser contraditório, mas completo e cheio de palavras para expressar-me!

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Saiba mais:

Romantismo: “O romantismo é todo um período cultural, artístico e literário que se inicia na Europa no final do século XVIII, espalhando-se pelo mundo até o final do século XIX. (...)  Foi através da poesia lírica que o romantismo ganhou formato na literatura dos séculos XVIII e XIX. Os poetas românticos usavam e abusavam das metáforas, palavras estrangeiras, frases diretas e comparações. Os principais temas abordados eram : amores platônicos, acontecimentos históricos nacionais, a morte e seus mistérios. As principais obras românticas são: Cantos e Inocência do poeta inglês William Blake, Os Sofrimentos do Jovem Werther e Fausto do alemão Goethe, Baladas Líricas do inglês William Wordsworth e diversas poesias de Lord Byron. Na França, destaca-se Os Miseráveis de Victor Hugo e Os Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas.” (Sua Pesquisa. Com)

Textos Góticos: “Álvares de Azevedo introduziu na literatura brasileira elementos da tradição gótica, como a morte, o ambiente noturno, o amor, o vampirismo. Essa produção rompe com os valores da sociedade, pois apresenta um caráter marginal.
Há outros escritores que tiveram ligações com essa tendência, na Europa, Charles Baudelaire e Mallarmé, nos Estados Unidos, Edgar Allan Poe e no Brasil, Cruz e Sousa, Alphonsus de Guimaraens e Augusto dos Anjos.

As obras Noite na taverna (contos) e Macário (peça teatral) representam a produção gótico-romântica em prosa; ambas de Álvares de Azevedo”. (Site Brasil Escola)      

segunda-feira, 12 de março de 2012

Quadrinho: Trocadilhos da Minami!

O quadrinho foi inspirado em uma leitura errada minha. Estava visitando um site e li errado o nome dele, mas de uma forma engraçada. Acabei percebendo que dava uma boa piada e coloquei a Minami para trabalhar. O trocadilho é no quadro final, com os nomes de dois outros sites sobre cinema que existe. Vejam se identificam os sites! :)


domingo, 11 de março de 2012

Conto: O Menino do dedo de Metal

O conto que vou deixar aqui foi escrito, em 2005, para o livro "SETE" (Ed. Litteris) e estará no lançamento de meu novo livro:  "Papos que ficaram na Memória".  É um conto infantil, por isso queria deixar uma boa mensagem e escrever de maneira mais leve. Espero que gostem desse conto, porque o achei interessante por transmitir uma boa mensagem sobre educação.

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Imagem retirada do site José Petri (clique)



O MENINO DO DEDO DE METAL


    Era um mundo pequeno como o nosso, mas não era o nosso mundo. Tinha árvores, flores e animais. Tudo o que temos e muito mais. E, nesse pequeno universo, havia cidades, e cada cidade tinha sua rua de especialidades. Rua das farmácias, rua dos restaurantes, rua do sono e rua do dia. Na rua do sono, todos dormiam e, na rua do dia, todos conversavam, trabalhavam e se divertiam.

    A conversa que mais se observava era sobre o dedo que escrevia. Nesse pequeno mundo, não havia caneta, lápis ou pincel, mas um instrumento que a todos substituía. Esse instrumento era chamado de o “dedo que tudo escrevia”. O “dedo”, um pequeno aparelho que se colocava no dedo indicador, era usado para escrever, desenhar e pintar. Essa era também a diferença entre classes sociais, pois o “dedo” era dado pelo governo de cada cidade para alguns membros de cada família. Assim, cada cidade tinha seu dedo de bronze, de prata e de ouro.

    A escolha era simples. Quem melhor escrevia tinha o dedo que merecia. O melhor de todos era o dedo de ouro. Quem o possuía ornamentava conhecimento e destreza. O dedo de prata era dado a pessoas de bom conhecimento. Já o dedo de bronze era um dedo que pouco escrevia e quase não se interessava pela escrita ou pintura. Algumas pessoas não possuíam o “dedo” porque o governo não via valor nelas. Esse era o caso do jovem Moninho. Filho de um pai “dedo de bronze”, com uma mãe “sem dedo”, ele não sabia escrever direito nem tinha acesso ao ensino adequado.

— Jovem Moninho, da rua das oficinas, não precisa de um “dedo de bronze” já que ele não precisa disso para viver em sua rua. Ele tem habilidade com as máquinas — diziam os conhecidos ao seu pai, tentando animá-lo.

— Mas eu quero saber escrever! Eu quero um “dedo de bronze”, igual ao do meu pai! — ele reclamava com seu pai que relutava em lhe ensinar a escrever.

— Não precisa disso, filho! Sua habilidade com as máquinas é suficiente — falava o conformado pai. Moninho era um jovem determinado que sonhava em entrar na rua da biblioteca. Mas entrar na rua da biblioteca só era permitido apenas para quem tinha o “dedo”. Moninho pediu ajuda ao governo, que insistia em não lhe dar o devido valor, pois sua habilidade com as máquinas era o que os governantes apenas viam. O governo estava preocupado em bajular os “dedos de ouro” e ocupar os “dedos de prata”, e nada fazia pelos “dedos de bronze”. Moninho não aceitava isso.

    Numa noite, em sua humilde casa, na rua das oficinas, Moninho esperou seu pai tirar o seu “dedo de bronze” para dormir e foi pegá-lo. Ele ainda era pequeno e o dedo de seu pai escorria por sua mão. Cabiam dois dedos de Moninho no “dedo de bronze” de seu pai. Moninho estudou o dedo de bronze. Sua forma, seu jeito e sua especialidade. Depois, foi dormir. Na manhã seguinte, Moninho acompanhou seu pai até a oficina e o ajudou no trabalho. Recolheu a roupa com sua mãe e brincou na rua dos brinquedos de madeira com seus amigos, ao lado da rua dos brinquedos eletrônicos, onde os filhos dos “dedos de prata”, e dos “dedos de ouro”, brincavam com máquinas eletrônicas e muita música. Mas, à noite, Moninho não foi dormir. Ele esperou seus pais se deitarem e começou a trabalhar com peças de bronze. Em duas semanas, tinha construído para si um “dedo de bronze”. Ao experimentá-lo, constatou que servia muito bem e funcionava direito, mas Moninho só conseguiu alguns rabiscos. O “dedo de bronze” não era suficiente.

— Para conseguir usar o “dedo”, você precisa saber ler e escrever — explicou uma voz rouca vinda de um vulto na escuridão da oficina. Era o velho Rabosco, funcionário de seu pai há anos e que estava dormindo na oficina.

— Por favor, não conte a ninguém o que eu fiz! — disse, amedrontado, Moninho. Rabosco pegou o “dedo de metal” e se surpreendeu com a perfeição do acabamento que o garoto tinha construído. Mas faltava algo, além da destreza.

— Além de saber escrever, o “dedo de bronze” verdadeiro deve ter um timbre real do governo, para impedir fraudes — explicou novamente o velho Rabosco, que tossia muito. Os dois ficaram em silêncio por muito tempo. Moninho estava tenso. Rabosco tossiu de novo e disse:

— Não vou contar a ninguém o que você fez! Aliás, eu esperava essa sua coragem no seu pai.

— Por que no meu pai? — surpreendeu-se Moninho.

— Como acha que seu pai conseguiu o “dedo de bronze” dele? Eu o ensinei a escrever, mas ele não tinha a determinação que você tem! — afirmou o velho, retirando um “dedo de ouro” de seu bolso. Um “dedo” velho e quase enferrujado.

— Você é um “dedo de ouro”? — espantou-se o jovem menino.

— Sim! Fui de uma família prestigiada, mas que acabou perdendo tudo com a troca de governo.

— Como assim? — confundiu-se Moninho. — Os “dedos de ouro” não são prestigiados para sempre?

— Deveriam ser mas, com a mudança de governo, a cada oito anos, vários “dedos de ouro”, que eram prestigiados pelo governo passado, acabaram por serem esquecidos pelo atual governo — terminou a explicação.

— Então, por que ter um “dedo de ouro”? — Moninho pediu uma explicação.

— Pelo conhecimento! O conhecimento é um valor que não se perde com o tempo. Diplomas e “dedos de ouro”, “prata” ou “bronze” enferrujam e envelhecem, mas o conhecimento adquirido permanece por muito tempo — explicou Rabosco. — Quer ser um “dedo de ouro”?

    Moninho não pensou duas vezes:

— Sim, eu quero!

    Os dias se passaram. Moninho ajudava o pai na oficina e a mãe em casa. Depois, em vez de brincar, ele se encontrava com o velho Rabosco que o ajudava a estudar. Os dias se tornaram meses e os meses, anos. Moninho já era um jovem adolescente. O velho Rabosco lhe deu o timbre real do governo e o colocou no “dedo de bronze” de Moninho.

— Pronto, Moninho! Agora, tudo depende de você! O concurso anual para a escolha dos futuros “dedos de prata” começou e eu o inscrevi na competição. Boa sorte, meu rapaz! — falou o velho Rabosco, abraçando o jovem.

    Estavam todos lá. Gente importante do governo atual, representantes da alta classe dos “dedos de ouro” e vários membros dos “dedos de prata”. Todos sentados em mesas de luxo. Na arquibancada de metal, estavam os “dedos de bronze”, incluindo os pais de Moninho. A prova para “dedo de prata” começava com a verificação do timbre real. O verificador olhava atentamente o timbre de Moninho, que estava frio e confiante.

— Esse timbre é muito antigo! Era do governo passado! — resmungou o verificador.

— Não há nada no regulamento que me impeça de fazer essa prova, só porque meu timbre é antigo. Não é verdade? Afinal, o que se mede aqui é o conhecimento ou é um mero pedaço de papel? — retrucou Moninho.

O verificador ficou confuso. Olhou várias vezes o livro de regras e disse:

— Está bem! Vá em frente!

    Moninho passou para a fase seguinte. Ele se viu frente a frente com uma senhora de meia-idade, bem vestida, com óculos. Ele a cumprimentou gentilmente.

— Em sua opinião: valor ou conquista? — ela perguntou com seriedade. Era uma prova oral. Moninho pensou um pouco e respondeu — Conquista sem valor nada é. Vitória sem honra é desmerecida. Valor moral é maior que o valor da conquista — ele refletiu.

— Resposta satisfatória. Pode prosseguir — ela disse.

    A última prova era escrita. Estava na hora de pôr em ação o “dedo de bronze” que ele fizera na infância. Conhecimentos gerais, como filosofia, matemática e geografia, além de conhecimentos específicos, como língua e literatura, eram seus novos adversários. Ele foi o primeiro a entregar as provas e sair. O resultado seria divulgado no mesmo dia à noite. Moninho se reuniu com a família e com o seu velho mestre. Quando a noite chegou, o veredicto foi proferido em praça pública:

— Por decreto do atual governo, os novos “dedos de prata” são os seguintes: Arkindo, da rua da cerâmica... enquanto o porta-voz discursava e havia festas e lamentos, Moninho prestava atenção, buscando ouvir seu nome. Por fim...

— Moninho, da rua das oficinas...

    Todos gritavam e pulavam. Moninho era, agora, um “dedo de prata”. Isso era apenas o começo, pensava Moninho. Ele mostrara ao mundo que poderia ser o que quisesse. E queria mais. Queria mais conhecimento, pois sabia que o saber ajudaria sua família e ele próprio. Nas mãos de Moninho, a oficina prosperou. Virou uma grande indústria e seus pais conseguiram, com sua ajuda, “dedos de prata” para eles também. Moninho logo alcançou o “dedo de ouro” e progrediu ainda mais. Não pela força do governo, mas pelo conhecimento que conseguiu através do tempo de ensino. Não foi um timbre ou diploma do governo, mas sua determinação em mudar que fez com que o destino lhe fosse benéfico.